Trabalhar com crianças é uma reciclagem contínua de nós próprios. Para se ser bem sucedido, é preciso, antes de mais nada, adorar trabalhar com crianças, mas é necessário muito, muito mais do que isso. Sem querer fazer deste um post sobre pedagogia ou didáctica, devo dizer que a paciência e a calma são fundamentais, mas fundamental é também a capacidade de nos analisarmos, de criticarmos as nossas atitudes e a capacidade de aceitar com humildade tudo o que as crianças nos podem ensinar sobre nós próprios quando, nos seus gestos, nos reflectem como seu modelo e exemplo.

Contextualização feita, este post é para todos os que seguem o meu trabalho, claro, porém é sobretudo dedicado aos meus alunos, em especial ao Daniel. Se os meus alunos me agradecem, várias vezes, por os ensinar a não desistir dos seus sonhos ou de qualquer objectivo que seja, eu agradeço ao Daniel por me relembrar que antes da opção de desistir ou não vem sempre, mas sempre, a tentativa.

As fotografias que podem ver na galeria em baixo mostram paper toys feitos pelo Daniel e pelo Pedro. O Daniel observou-me a fazer paper toys, fez perguntas, pesquisou na Internet planificações e personagens que lhe despertassem interesse. Um dia, pegou numa folha quadriculada e disse-me "vou fazer um paper toy". E fez. De raiz. Sozinho. O Daniel aprendeu sozinho. Como eu.

Os paper toys deste miúdo, que vai agora para o sétimo ano, não são perfeitos, as medidas são aldrabadas, o corte precisa de prática e na altura da colagem pede, às vezes, ajuda. Não importa absolutamente nada :) Passamos demasiado tempo a tentar melhorar aquilo que nos outros nos parece menos bom, em vez de estimular aquilo que têm de melhor. O Daniel há-de querer fazer paper toys perfeitinhos (ou não!), mas para já, ele quer é fazê-los, sem impôr obstáculos a si mesmo, sem dizer a si próprio que vão sair mal-feitos ou tortos ou com outro defeito qualquer. Ultimamente, sou eu que fico de queixo entre as mãos a observá-lo enquanto faz a sua magia.

O Pedro vai para o quarto ano, fez esta semana o seu primeiro paper toy de raiz: desenhou a planificação (usou uma régua, fez contas de dividir - olha a Matemática tão divertida!), criou a sua personagem, cortou sem auxílio e eu só o ajudei a colar. Ele estava orgulhoso, eu cresci até ao tecto!

Pedi-lhes para fotografar os seus paper toys, pedi-lhes autorização para os mostrar no meu blogue e aqui estão eles! Obrigada!

Por causa dos meus miúdos (há mais a entrar na onda dos paper toys), começo a ter vontade de fazer umas oficinas infantis... O que vos parece?

Comment